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| Arte de Takemeomeo |
A gente se odeia cada dia um pouco mais por ter amado tanto, mas isto é coisa natural - tem jeito não. Amor não é no escolhido, amor- mesmo o mais belo e felizardo, tem artes de malsinação... Amor é derrubada, é queimada, é virar terra, é fincar mourão, amor é fazer morada. Amor é um canto de seu na terra que ninguém vai nela, que é coração de outrem.
Amor é um governo, amor é uma organização. Lá do seu jeito, mas é! Quem ama quer por prumo na vida, emparelhar duas tabuas de madeira diversa e unir na força do querer bem. Amor no fim é ordenar um banzeiro todo, amor é uma faina sem fim de manter de pé, de cuidar e de zelar.
E a gente quer que dure.
Só que tudo é um desmantelar, tudo é um desfazer, parede que não se caia logo cria buraco, mourão apodrece e cai com o vento. Lição das coisas mudas, talvez. Nunca vi montanha nascendo, vi enchurrada correndo, vi vento virando, erodindo, aplanando tudo. Tudo no fim há de ser planura: parede nenhuma, cerca nenhuma, montanha nenhuma...Apois, paraíso é planura, de certo.
Planura que vem depois da montanha de sentir bem-querer, depois do vale da malquerença... Planura que é o que fica no cerne do peito depois que a imagem do que ia se indo vai apagando, lavada de lágrimas.
Planura é saudade?
Apois que na minha idéia é, sim.
Uma saudade é o calombo onde sarou uma dor doída, onde finou um prazer sem peia...
Não sei se hei de querer mais casa. Arrancho apenas. Tapera só. Dou menos trabalho ao vento, menos burla na chuva, menos canseira ao mundo. Homem feito de barro... Chuva não me lava, sol não me cresta. Mas dentro no de dentro, são outras erosões... Pouco a pouco vou virando nada. Porque a dor não passa nunca - jamais - a não ser que a gente passe também.
Claudinei Soares
Amor é um governo, amor é uma organização. Lá do seu jeito, mas é! Quem ama quer por prumo na vida, emparelhar duas tabuas de madeira diversa e unir na força do querer bem. Amor no fim é ordenar um banzeiro todo, amor é uma faina sem fim de manter de pé, de cuidar e de zelar.
E a gente quer que dure.
Só que tudo é um desmantelar, tudo é um desfazer, parede que não se caia logo cria buraco, mourão apodrece e cai com o vento. Lição das coisas mudas, talvez. Nunca vi montanha nascendo, vi enchurrada correndo, vi vento virando, erodindo, aplanando tudo. Tudo no fim há de ser planura: parede nenhuma, cerca nenhuma, montanha nenhuma...Apois, paraíso é planura, de certo.
Planura que vem depois da montanha de sentir bem-querer, depois do vale da malquerença... Planura que é o que fica no cerne do peito depois que a imagem do que ia se indo vai apagando, lavada de lágrimas.
Planura é saudade?
Apois que na minha idéia é, sim.
Uma saudade é o calombo onde sarou uma dor doída, onde finou um prazer sem peia...
Não sei se hei de querer mais casa. Arrancho apenas. Tapera só. Dou menos trabalho ao vento, menos burla na chuva, menos canseira ao mundo. Homem feito de barro... Chuva não me lava, sol não me cresta. Mas dentro no de dentro, são outras erosões... Pouco a pouco vou virando nada. Porque a dor não passa nunca - jamais - a não ser que a gente passe também.
Claudinei Soares

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