Francisco Heraldo

A noite é escura

09:51

A noite é escura
E o medo abriga
Fantasmas de um passado
Tão presente

O outdoor
Não anuncia
Não anunciará
Os hematomas
Noturnos
Pelo corpo

Gritos
Ranger de dentes
Não haverá ouvidos
Que nos ouça
E fechados os olhos
A dor
Parecerá inexistente.

Francisco Heraldo

Bruna Berardi

Quais são suas intenções?

09:55

Rola, 
Dados dispostos.
Lançados ao ar.

Cartas marcadas.
Façanha.
Blefe, 
Cuidado, custa caro.

Se gaba de lá, 
Estufa o peito:
Respeito! Sou mesmo é sujeito!

Na mesa,
No congresso.
Vê o retrocesso?

Tomou, tragou e sem pigarrear:
Quais são suas intenções?
"Hora, tolice! Mande a próxima!"
Assim, se gaba de lá.

Uns tantos mais de cá,
Sim, eu também não acredito.
Uma vez disseram que eles eram mesmo assim.

Se voltar aos dados, 
Estes cravam em seu outro sentido,
Cada motivo.
Não, ele não.

Bruna Berardi

João Arruda

Quando se fica só

12:41

Fechou seus olhos
e para sempre dormiu
sua alma não sei
se desceu ou se subiu.

Uma máscara triste
em meu rosto se esculpiu
as lágrimas caíam
e meu ego o porquê não descobriu.

Meus sentimentos não sei
para onde extrapoliu
o conforto dos amigos
de nada serviu.

João Arruda



Marcelo Souza

Os dias correm

12:23

Os dias correm,
parados estão, todos os dias.
Não vejo a felicidade por aqui,
há muito não vem nos visitar.
Deve ter se cansado, de tantas vezes, que chegou, e ao chegar, apenas viu a porta se fechar.

Ela estava andando desolada,
dando sorte ao azar.
Ela estava encantada,
viu o encanto se acabar.

Os sorrisos nos cantos,
Nos cantos da boca a sorrir.
Aquele sorriso sádico,
que meus olhos não viram em uma cela do doops.

No canto de minha boca não há sorrisos, mas minha face não esboçou tristeza.
Ódio; meu coração não cansar-se-ia, mesmo que todos os outros fizessem-se tua morada.

Medo; não flerto contigo, respeito-o, como a um bom amigo.
Não ando de mãos dadas,
Mas o aceito quando vem.

Os dias correm, e o hoje não está tão distante do ontem, pois no meio desse tempo, nós, os senhores no tempo, não evoluímos com o mesmo.

Os dias correm, o sangue escorre.
Antes, no tronco, adiante, na cela,
onde estamos, favela.

Os ternos, eternos, promovem ações, distorcem reações, e faz quem, outrora estava no tronco, derramar sangue, na cela, e apoiar o genocídio em favela.

Podem 30 mil serem mortos,
O sol vai brilhar.
Podem outra vez os torturarem.
O sol vai brilhar!

Todo sangue, toda dor.
Desse solo que és tão abençoado,
Que o fizeram a morada do pecado.
Lucifer, deliberadamente no inferno, coça sua cabeça, com semblante de quem está confuso, já que quem está fazendo o papel de seus filhos, se dizem cristãos.

Jesus, manso e humilde de coração, sentado a direita do pai, sabe que a história se repete, e faz o seu papel.
"Pai, perdoa, eles não sabem o que faz"