Marcelo Souza

Por que somos assim?

13:49

Por que somos assim? Por que insistimos em sofrer? Não sabemos se quer do ontem, por que de sofrer pelo amanhã? Vivemos a por defeitos, Somos inconsequentes, em um universo sem fim. Cada qual no seu jeito, tantos jeitos. Quando alguém, foge a regra, como louco visto é. Quem é louco? Quem de nós é louco? Quem morre pelo dinheiro? Quem mata e se mata por amor? Amor? Quem cria personagens? Quem acredita em Deus? Quem foge da realidade? Ou quem criou a realidade, da qual, tantos querem fugir? Quem ama? Quem grita? Quem vive? Quem canta? Quem lê? Quem escreve poesias e canções? Quem chora? Quem escandalosamente ri? Quem sonha? Quem idealiza o amor? Quem sente frio no calor? Quem no calor toma chá? Todos são loucos! Não há problema algum com esses. O problema é á loucura, que faz o ser acreditar que só ele está certo e,
que todos os outros são apenas loucos.

Marcelo Souza

Murillo Kollek

Panfletário

13:12

Pés calejados marcham contra corrupção
Massa cinzenta clama por Impeachment
Bandeira nacional aperta nosso pescoço
Sede de justiça manipulada pela mídia.

Profetas do caos manifestam-se
Lançam sortes aos poderosos
Peças do tabuleiro caem.

Amanhecer cinzento na terra da garoa
Não intimidam a população
Embriagam com as palavras.

Tempo de angústia se manifestam

Do alto de suas torres
Observam os peões manipulados

Murillo Kollek
14/03/2016

Bruna Berardi

Mania Matinal

09:43

Torneira aberta
Fita o espelho,
O sol invade o vitrô, 
Aquece a nuca.

Veranico
Quente,
Levemente vazio

Sintoniza 
Um clichê toca no fundo,
Ri só.
Da varanda sem luxo, observa.

O sol curtindo roupas no varal,
Algumas vidas varadas de fome.
Não de carne, nem de pão.

Hidrata o corpo, 
Sente a brisa badalar o sino dos ventos,
Arde na vontade de voar para o céu.
Mas a cera das asas derreteria, como Ícaro.

Ali, 
Ficou.
Entre as folhas viu alçar vôo.

Tragou seu último chá, 
Riu do trabalho que a mente impunha,
Mania matinal.
Em jejum, engoliu o mundo.

Foi pela porta.
Atravessou a rua. 
Só vi partir, só.

 Bruna Fernanda Berardi

Claudinei Soares

Koetzu's blade

12:33

Corre noite, quente como abraço sôfrego, 
nuvens rolam grossas escondendo a nudez da terra
Calor, suor, de dorso nu encaro a brisa tépida
escorrendo pelo canto do lábio da escuridade
entre um beijo esfaimado e outro com mil pontos de luz.

Era mato tudo isso. Hoje é cidade
Era rio, hoje é rua
Era bicho. Hoje é homem.
maldição, eu sei o que eu quero.

Nenhum raio: se chover será em silêncio
como quando a morte se esgueirou para a minha cama.
Ela era linda, linda como um poema
Como uma espada de Koetzu, ou uma faca niquelada.
Ela me esganou até que eu vi a vida
O sol determinando as coisas
e eu permaneço calado.

Corre noite, fugindo do que persegue
parece louca, parece mórbida, parece eu
um estilete afiado a centímetros do seu amplexo
faço a volta ao redor transido de prazer com o seu medo
E de perceber seu colo sacrossanto
erijo uma oração ao tempo antes do pecado.

Maldição, eu sei o que eu quero
Predador que espera num golpe certeiro do vento
o cheiro de uma preza que rescende aos delírios
de um paraíso sáfico desenfreado

Vai caçar a preza que te traga a morte?
Vá, lobo em andrajos, que é o melhor que fazes.

Corre noite, manancial de horas
nevoentas, mortas, revoltas e inúteis
vaporosas dos sonhos dos homens inertes
que fagocitam e defecam o pão acerbo da vigília.

Bombshell decadente num palco esgarçado
canta obscenamente para artistas apodrecidos
Anjos ébrios e profetas famintos
que aguardam a esmola na divina sarjeta.

Lugar alto para mim.

Maldição, faço mais por menos 
à cada hora que passa
Não era por menos que um beijo
agora um olhar já me basta

Amor- nele não se confia
quando bem se conhece.
é um escroque, um pilantra.

Claudinei Soares