Todo poema por mais longo
É uma coisa resumida
Dá-me a mão e aperta o passo
Vamos cruzar a avenida
Fogo que arde no espaço
Dá do universo a medida
E ela cabe num abraço
Como é curta essa vida!
Coisa que não sei ao certo
Se definir eu consigo
Se a palavra for blasfema
Temo terrível castigo
Por mais longo o poema
De ser mais longo não tem perigo
Dá-me a mão e aperta o passo
Este compasso é antigo
Todo o verso é testemunho
Toda a obra erigida
Todo o pranto e todo o gesto
Que fecha ou abre ferida
O destino manifesto
A estátua carcomida
Longas são tantas muralhas
Como é curta essa vida
Para quem sofre um martírio
Pra quem goza uma corrida
Cenas suspensas no nada
Sem ter entrada ou saída
Todo o poema é um delírio
Desta nudez pressentida
Volúpia e terror vazando
Da sua veste poída
Longa hora de pensamentos
Como é curta essa vida!
Peço então seu abraço
Num consolo cristalino
Seu pranto que me faz homem
Riso que me faz menino
Dá-me a mão e aperta o passo
Vamos chegar ao destino
E o destino não é nada
É coisa escrita e já lida
Lápide que assinala
A obra já concluída
Trilha que sr muito usada
Obriga a ser escolhida
Sonhando virar estrada
E um dia ser esquecida
Longa como a Via Sacra
Como é curta essa vida!
Claudinei Soares
É uma coisa resumida
Dá-me a mão e aperta o passo
Vamos cruzar a avenida
Fogo que arde no espaço
Dá do universo a medida
E ela cabe num abraço
Como é curta essa vida!
Coisa que não sei ao certo
Se definir eu consigo
Se a palavra for blasfema
Temo terrível castigo
Por mais longo o poema
De ser mais longo não tem perigo
Dá-me a mão e aperta o passo
Este compasso é antigo
Todo o verso é testemunho
Toda a obra erigida
Todo o pranto e todo o gesto
Que fecha ou abre ferida
O destino manifesto
A estátua carcomida
Longas são tantas muralhas
Como é curta essa vida
Para quem sofre um martírio
Pra quem goza uma corrida
Cenas suspensas no nada
Sem ter entrada ou saída
Todo o poema é um delírio
Desta nudez pressentida
Volúpia e terror vazando
Da sua veste poída
Longa hora de pensamentos
Como é curta essa vida!
Peço então seu abraço
Num consolo cristalino
Seu pranto que me faz homem
Riso que me faz menino
Dá-me a mão e aperta o passo
Vamos chegar ao destino
E o destino não é nada
É coisa escrita e já lida
Lápide que assinala
A obra já concluída
Trilha que sr muito usada
Obriga a ser escolhida
Sonhando virar estrada
E um dia ser esquecida
Longa como a Via Sacra
Como é curta essa vida!
Claudinei Soares

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