Senhor, não me abandone

Senhor, não me abandone
À minha própria sorte
A noite cresce tão rápido
E essa gente toda
Parece estar rindo de mim

Há guardas armados sobre motocicletas
E ainda assim eu sinto tanto medo
Talvez porque não saiba
A quem eles pretendem proteger
Senhor
Não me deixe abandonado
Eu não sei me defender

Luzes
As trevas não se incomodam
Com a lepra em sua carne
Que são as luzes
Prédios murmurando alto
O poderio dos homens
As trevas se encolhem e esperam
Vem tempestade
Essa não espera ninguém

Redesenha a urbe
Com o vácuo de pessoas
Alinhando marquises
Invectivando ao destino
Senhor, não me abandone
À minha própria sorte
Eu sou um colecionador
De destinos infelizes.

Claudinei Soares

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