Eles

Eles nos matarão a todos.
Eles nos odeiam
Eles matam com austeridade
Palavras bonitas
Leis e sanções 
Constituintes e banquetes
Eles nos perseguem 
Mas sem alarde
Estamos cercados
Mas não se ouve o rataplã dos batalhões 
As armas e os barões assinalados
Assinam num papel com tinta e sangue
A morte dos sem teto e das putas
Dos aidéticos e dos refugiados 
Eles têm asco do câncer 
Vergonha da fraqueza 
E raiva da fome
Escarnecem do vício 
E seviciam a pobreza.
Eles ensinam nossos iguais a nos odiar
Vendem as armas aos nossos desafetos 
E a guerra é conosco
Eles nos prometem
Nos mentem
Nos roubam
Eles nos odeiam
Eles nos matarão a todos 
Eles têm sangue na mente
Mas suas mãos estão limpas
Passeando sobre crânios 
A top model balanceia
Espocam flashes nucleares
O privilégio dos escribas
Registra a história dos vencedores 
Os poetas derrotados
Profetizam no boulevard 
Eles nos odeiam 
Eles vão nos matar a todos.

Claudinei Soares

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