Eu que transpareço desimportante para os momentos.
Eu que desdenho do acaso conseguinte
Dos momentos vividos.
Eu, apenas eu, e, se não sou eu,
apenas o mal no outro.
Meus olhos me enganam.
Cansei de me enganar.
Não dou importância, se não para cada segundo.
O que tenho eu com o mal do outro?
Que tenho eu com o mundo?
Sonhos.
Frenesi.
Frenéticos devaneios.
Por que me importaria com o mal do outro?
O mal do mundo.
Vagando
Vagabundo
Mas, vago não.
Não vazio.
Aos olhos dos outros.
Em visões de cada segundo.
Que tenho eu com os outros?
Que tenho eu com o mundo?
De fato, que importância tem a superficialidade dos momentos.
Apenas, de cada momento,
Seus ensinamentos.
Se foi.
Voou com o vento.
Sabe-se lá pra onde?
Sabe-se lá de quem?
O mal, trabalhado no cerne, segundo a segundo.
Nos tele-jornais, tabloides, revistas.
Na revista, muitas vidas se perdem.
Foi crucificado, hoje é dia de se pensar em pecado.
Quantos povos dizimados.
Quantos olhares?
Quantas vidas?
Quantas voltas?
Quantas perguntas?
Se quero respostas?
Só as que me cabem.
A responsabilidade de meus sentimentos.
Que cada qual arque com os seus.
E os olhares, que sejam sinceros.
E as vidas, que não sejam negligenciadas.
Que ela volte depressa, não, que ela volte.
E que não tenham perguntas.
Tudo claro, como a clareza da luz.
Da luz de uma criança.
Da luz da esperança.
Da força que conduz.
Que se não houver respeito,
Não haja olhares.
Nem vidas.
Tão pouco perguntas.
Não irei correr.
Seguirei calmo.
E na guerra do ser
que seja forte o elmo.
Que minha fronte seja protegida.
Não me nego de ir ao encontro do ataque.
Mas que seja protegido.
E que não saim feridos.
São dias conturbados
Seguimos mentiras
E sufocamos verdades
Em breve tudo será findado.
Finados
Feriados
Ferrados
Pecados
O pão é a desculpa de todo.
O circo, hoje, nem tem espetáculos gloriosos.
E qualquer palhaçada satisfaz.
Enquanto nos distraem
Nos traem.
Traem a nação.
Curvando-se ao grande império.
A farda, ludibriados.
Creem em seus super poderes.
E abusam, se tornam semelhantes aos vilões.
Todos são vítimas.
Vítimas do sal.
Vítimas do açúcar.
Vítimas do algodão.
Da soja.
Do café.
Vítimas de si próprios ao se vitimizarem.
Vítimas, herdeiros da escravidão.
Vítimas, herdeiros da escravatura.
Vítimas, herdeiros da imoralidade da farda.
Vítimas, herdeiros dos flagelos dos corpos que a vestem.
A vacina de Oswaldo Cruz.
A larga avenida de copa cabana.
O morro, vítimas, sem vitimação.
Apesar de toda violação.
O samba, demonizado.
A capoeira, demonizada.
As religiões, demonizadas.
Pelo domínio, demônio, em nome de um Deus.
As contradições dos livros.
As verdades desfocadas.
O enfoque na mentira,
Sugando a vida.
Louvemos a coragem e a força de seguirem todos vivendo.
Seja por Deus ou por qualquer motivo.
Mantém-se os sorrisos.
Não há culpados.
Eles pensavam e essa era a verdade.
Esse é o pecado de quem pensa, só o seu pensamento é que é real.
O resto, loucura.
O resto, vitimização.
O resto, sabe-se o resto,
apenas resto.
Restos de sonhos.
Restos de luz.
Restos humanos
que o pecado conduz.
A moral edificada sobre a mentira.
A ética, é física quântica para quem está com fome, e o que importa?
A política, sobrepõe-se a moral mentirosa e os herdeiros ainda tem fome.
O que é ética?
Perdoamos os pecados dos bem afeiçoados,
aqueles distantes.
Não julgamos os nossos pecados.
O que resta é julgar aquele ao lado.
Falamos, falamos
E o que se resolve
Apenas o tempo correndo.
Sem nada resolver.
Ainda não sei quem de fato és louco.
Aqueles que querem fugir da realidade.
Ou quem criou a realidade, de que tantos querem fugir.
Ah... a fragilidade.
Não julguemos a fragilidade
de nossos semelhantes.
Louvemos a força dos mesmos.
De seguirem vivos,
mesmo com tantos motivos
para abraçarem a morte.
Preferem acreditar na sorte.
Seja por medo
ou por qualquer motivo que seja.
Seguem mantendo
A chama sempre acesa.
Por vezes
Apenas fagulha.
Seja com álcool,
Sexo ou canções.
Inflamam e por vezes
A chama reacende.
Um parágrafo de um livro.
Á estrofe de um poema.
A prestação a vencer.
Marcelo Souza
Marcelo Souza

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