Há ondas sobre mim

Ela vem como onda violenta
Me puxa para baixo
Vira e me revira inconstante
Perco a noção de espaço

Chacoalhada por essa onda
Eu já quase não existo
Eu perco o fôlego e mais uma vez
Eu juro que não resisto

O mar é uma beleza tão imensurável
Que usá-lo como metáfora é injustificável
Não encontro palavras para expressar
Talvez precise me internar

Só que foi a beira do mar que meus sonhos foram despertados
E agora sofro a angústia e necessidade de abortá-los

A frustração, raiva, furor...ondas violentas que ainda não aprendi a controlar
Muitas águas que agressivamente contra as pedras vem me arremessar

Começo a ter fé em predestinação
Para tantos é tão fácil ser feliz...
Assim como a música diz...
Mas para mim parece não ter opção

Tantas formas de amar
Que não consigo encontrar
Tudo é tão impossível a mim
Solidão predestinada, sim!

Já foram muitos os vendavais e tsunamis que me encontraram
Para não me afogar meus braços e pernas tentaram
Com força descomunal eu resisti
Meu corpo não suporta, só quer desisti

Pode até parecer fraqueza
Mas na verdade não possuo riqueza
Me vêem por fora a alegrar
Se pudessem ver minha alma iriam chorar

Eu perdi, uma onda que não vou surfar
Uns riem, a mim só me resta chorar
O riso dos lábios efemeramente se foi
E o desprazer de viver só me corrói

Essa onda na praia um momento vai morrer
Imã ideia que existe e vai acontecer
Da memória logo é só me esquecer
O que ganho ou o que perco ninguém precisa saber.

Kerley Nancy

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