Em não achar palavras
Para sentimentos inauditos
Vivem os olhos do amor
Divisando o invisível
Cristais intangíveis e bonitos
Vive meu coração te gritando o nome
Na caixa do peito
E assim tem feito
Sem que ninguém possa ouvir
Meus lábios tartamudeiam
Sem diluir
A pedra oculta aonde um verso se fez
Loucura Santa se auto profana em lucidez
Doçura antitética da acidez!
Mariposa noturna ao sabor da brisa
Borboleta diurna da noite
Chama ardente revela os olhos na sombra
E escondem seu mundo de azeviche
Morre em cada diástole o meu miocárdio
Cantando elegias
Vapor em magias
Erguem no ar catedrais
A tua voz na memória canta os missais
É assim que nasce um sol novo
Espere amanhã
É assim que mora um pecado
Na mais honesta maçã
E uma galáxia
Na gota de orvalho
Espera o calor
Qualquer prazer
Podendo emergir
De qualquer dor
E o universo
Repousa
No caule da flor
Vive o sonho do amor
Nesta realidade
Onde o sonhador vai com pressa
Acordes que vêm do nada e ao nada retornam
E o instrumento não interessa
Ferro que marca na pele seu nome secreto
O piso do teto
A superfície do fundo
Abismo que alcança os céus
Banco dos salvos
Que ouve o juízo dos réus
Terra é água que seca eu sei
O ainda não feito
Que já dei fé e testemunhei
O nunca dito
Que digo
Porque já calei
O caos é dança
E silêncio do amor
Cantarei!
Claudinei Soares
Claudinei Soares

0 Comentários