Mas agora estou indo
Vozes clamam alto o meu nome ao longe
Você não está ouvindo
Não sente a força?
Percebe o ritmo?
Há um istmo em nós
Um hiato na voz
Se quer voar, voe!
Mas não dê estas incertas
Esta dança de ameaças e grasnados
Com as asas abertas
Você não notou
O gelo derretendo?
Tudo está desmoronando
Você não está percebendo?
Vou sair simplesmente
Ali, pela tangente
Não porque sou o culpado
Tolo eloqüente
Eu não sei mais o rumo
Não tem mais futuro
Não tem luz nem escuro
E não tem mais "a gente!"
Quase é certo que errei
Mas agora é o fim
Não quero preces nem rosas
Essas coisas assim
Não sente a hora?
Não sente os sinais?
Quantos mais vão haver
Antes de escurecer
Se quer gritar, grite!
Se te permite a garganta
Eu já gritei e até onde sei
Isso não adianta
Se quer saber
Eu notei tudo
E o chão vai se abrir
E deixarei me engolir
Vou sair como entrei
Feito um fora-da-lei
Não que eu seja o culpado
Acorrentado eu lutei
Andei muitas estradas
Cansei das escapadas
Não há cruzes ou espadas
Não é o fim que esperei.
Claudinei Soares

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