Como fiz estátuas e canções
Eu fiz porque eu quis fazer
Fiz mesmo sem poder.
Raiou manhã
Filosofia vã - meditações
Aquilatando este prazer
Fiz! Fiz! Sem jamais aprender!
Busco a memória
Sei que já foi dito
Mas no fim
Importa é que é bonito
Descrever
E a valsa repisar
Alcatifado o chão de cerejeira
Ganho até
Do vento na carreira
Abro as asas
Sem saber voar!
Fiz a poesia
Dos pedaços que ajuntei de mim
Sem argamassa amalgamei
E outra forma eu dei
O sol luzia
Da janela eu via que era o fim
Sabendo que não saberei
Às rimas segredei:
O mundo olha
E ah se o mundo visse
É como se
eu jamais existisse
Uma ficção
História pra dormir
O mar se agita
Enquanto o rio corre
Estou sangrando
E meu corpo não morre
Estou sorrindo
Mas não sei sorrir!
Claudinei Soares

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