É para o lado

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É para o lado
Que o vento sopra
Que serei levado
Quando chegar a hora
Feito uma pipa
No céu de Setembro
Cores ardendo
Preso à linha frágil
Não será surpresa
Surpresa nenhuma
Quando despencar
Balançando para longe
Um ballet de adeus.

É para o lado
Que o vento sopra
Que segue a jangada
Encarando as ondas
É deste jeito
Que tudo acontece
É desta maneira
Que as sementes eclodem
E a lua soberana
Singra nua em suas gases
Como um veleiro feérico

E os poemas todos
No fim são honestos
E os amores todos
No fim são traições
Todo o homem é um escândalo
Esperando para vir a público
Toda a rosa é uma rosa
Nenhuma rosa é a rosa
E o perdão é como o agravo
Inútil vaidade.

A vida, menina, a vida
Amadurece e cai
A terra a come e aí
Ela ressurge brilhante
De brejeira teimosia
Toda a canção segue o vento
Toda a nuvem segue o vento
Todo o poema que se preze
Tem algo em si de um testamento.

Quando chegar a hora
Vou em forma de menino
De rimas pobres e risos
Ignorância e fé
De fragrâncias e folhas tenras
Vou em forma de menino
Adeus não direi menina
Na vida tudo se enxerga
Da vida nada se sabe

Vou em forma de menino
E a jornada é desconhecida
O rumo, porém, olhe os galhos
É para o lado
Que o vento sopra


Claudinei Soares

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