Sétima trombeta.

Vim caminhando pela praia agora
Meus dedos dedilhando cordas
Tranquilos e fabris
A mente planta folhas tristes
Nas árvores já mortas
O mar se esbate sobre a costa 
De ossos e debris

A lua olha para o desastre
Sem nada dizer
A terra gira lentamente
O sol não se partiu
Te olho e meu olhar está vazio
Mesmo ao perguntar
Eu te quis bem... Por que fez isso?
Por quê me destruiu?

Não que isso importe
Não que a resposta fira
Ou mesmo conforte
Não que eu vá blasfemo
E iconoclasta
Te fazer em cacos
Para me vingar

Não que interesse
Se no vazio o nada
Ouvia a minha prece
Contemplo a alma e tremo
Ela se arrasta
Em seus murmúrios fracos:
"eu só queria amar!"

Vim pela estrada que restou lá fora
E ela não leva à mais nada
Se é que um dia levou
Num outdoor bem chamuscado
Uns lábios de amora
Ali um verso sobre um muro
Que a queda perdoou

A rocha que habita no silêncio
É dura de quebrar
Diamante de ocultas lavras
Que o pranto lapidou
E a pergunta não se prouncia
Nem irá calar
Por que você me deu as costas?
Por quê me abandonou?

Não que à essa altura
A lua iluminasse
A trilha obscura
E revelasse ainda
Algum campo florido
Salvo, despoluído...
Que a morte não tocou.

Não que houvesse
Um anjo numa sombra
Ouvindo a minha prece
Um céu nos esperando
Um sinal divino
Um sonho de menino...
Não há: Não há! - acabou.

Claudinei Soares

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