No princípio não havia luz!

No princípio não havia luz!
Mas não por ela não estar lá.
Meus olhos não queriam enxergar.
E o verbo, usava-me sem eu saber.
Não dava sorte pra sorte.
Vivia a flertar com o azar.
Conheci o medo, mas fizemos laços de amizade, o respeito recíproco entre eu e ele.
No meu templo, que é de meu pai, que sou eu, quem sou eu?
Meu peito era pasmo, perdido estava, pois não sabia onde ir.
Mas pra que ir?
Ir para onde?
Onde eu estava, estava tudo bem!
Eu não via.
Nada se criou, nada criou.
Na escuridão estava tudo, na escuridão.
E o verbo de Jorge Amado, disse que se faça luz, e na escuridão vi toda criação definhado.
O corpo feito com seus acessórios evolutivos, a confusão na mente, os olhos fundos, que fundiram-se com os meus olhares, e a fome, e o medo.
Vi tantos, tantos trataram aquele meu irmão, de modo hostil, sem respeito.
Em seu peito, cada um, se sufocou em suas ilusões.
Eu segui, meus olhos cansaram-se do escuro, meu verbo trouxe a luz.
Não me cegou, meus olhos doeram.
Minha vida eu vi.
Vivia, sempre vivi, o ontem já se foi.
O hoje já foi amanhã e será ontem.
Confesso que quem me ensina a viver não são os que tem doutorado.
São aqueles pequenos, que tem lugar no céu, pois minha vida na terra eu já não quero mais viver, caminharei, agradecendo o sol, e não o censurando como fiz tantas vezes.
Tantas vezes reles, tantas vil.
Eu me mantive agachado na hora do soco.
Mas o soco novamente surgiu, entreguei minha face e a outra para se não fosse suficiente uma apenas.
A fumaça em meus pulmões.
Escondi por tempos, por tempos escondi em vão, a minha provedora me abraçou, e eu vi novamente o amor.
E agora, nada pode me tirar da luz,
Se não eu, com o pretexto de iluminar outras escuridões.
Marcelo Souza

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