Eu sempre vesti verde

Eu sempre vesti verde. E eu quero a floresta de pé. A bandeira é verde, e se não tremula no ar com reflexo do vermelho comunista. Não tremulará com o reflexo do sangue dos donos das terras. No papel, os donos são outros, mas um rei não pode interferir na humanidade de três séculos de seu reinado. As capitanias vieram e fizeram o que foram criadas para fazer. A hereditariedade dos de outrora exercem ainda o mesmo papel, que tem como matéria prima, junto a celulose, as mãos e costas dos coletores. São sequências de fatores matemáticos, que substituem números, por atos. No fim, os atos se resumem a números. A tinta vermelha extraída do pau-brasil, agora extraída das vísceras de humanos. A ordem dos fatores não alteram os fatos. Antes os corpos derrubaram madeiras. hoje os corpos caem, para depois á madeira cair. Me entristece, tiro na cabeça de criança, não foi só essa criança, quantas outras irão? Quantas já não foram por conta dos rios de chumbo? As águas de março caem, mas as de todas as estações são contaminadas, por venenos gerados no interior, na alquimia entre a ignorância e o ego, de quem anseia manter-se no poder. Honrando os seus antepassados, são tão inescrupulosos quanto outros foram. A fome pelo poder, gera a fome. Meninos, se fossem educados, sim, educados, desde cedo a criar empatia por uma boneca, não enxergariam na sua adolescência, uma vagina como depósito de esperma, que pode gerar o seu sucessor, que será abandonado, como tantos outros cinco milhões. As meninas, caso a ignorância não falasse a tanto tempo em nossa pisque, seriam muito mais do que conseguiram com os boicotes dos homens na história. Dúvida? Pergunte as bruxas das fogueiras, da África do Sul, no no século XX. Meninos e meninas usam o que tem que usar, já não basta o fato de ter que esconder o que foi dado por Deus, debaixo de panos que custam a cidadania e a alma de escravos contemporâneos nas galerias de custura do Brás. Ainda tem de ser uns azuis outros rosas? Eu uso o verde das matas. Uso o verde dos campos. Uso os verdes que coexistem junto à selva de pedra. Uso o verde do tecido. Da bandeira, a seda, trêmula, assim como a democracia no picadeiro do circo do Distrito Federal. Uso verde do caipora. E a água que evapora da floresta, e a fumaça que faz a água cair e lavar um pouco o ácido dos corpos. Assim como a fumaça que sai do meu mato e faz á chuva lavar meu interior. Eu uso o verde. E o meu verde é mundial.

Marcelo Souza

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