Da caverna

De dentro da caverna
As sombras não vale projetam na parede
Estão nebulosas na minha mente

De dentro da caverna
Há correntes, grilhões pesados e escuridão

Dentro da caverna
Há acomodação...
Estranha cama para se deitar

Há vozes fora da caverna
As ouço me chamar
Falam de um mundo cheio de vida perfumada
Um mundo que não vislumbro

Confuso...
Me acostumei com o cheiro da caverna
Mofo, enxofre, sangue...meu Seol

Algumas vezes almejei tentar quebrar as correntes
Algumas vezes quis compreender Platão
Algumas vezes brotou uma pequenina esperança

Quando relutante saio da caverna do meu quarto
Há um mundo de vida e alegria que me espera.
Festas ao meu redor
Beijos, carinhos, abraços, rabinhos abanando, flores, cheiro de lar.
Por que isso é estranho para mim?

Na caverna da minha mente
Ainda luto...todo dia, toda noite
Solidão é companhia, silêncio uma constante

Hoje abri os olhos e talvez possa acreditar que um dia 
A luz da vida e o perfume da sabedoria
Possam ser minhas companhias outra vez.

Kerley Nancy

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