A paz baila em ponta
Sobre a lâmina do ceifador
Uma rosa que baila ao vento
Roçando o gume de uma katana
Ninguém te entende, flor...
Ninguém aplaude a bailarina
Ninguém percebe o risco
A fragilidade
Então
Como um laço de seda
A paz se desfaz em vermelho
Em lágrimas amargas e salobras
Em horas ou anos
De um desespero eterno
A paz escorre por entre os dedos
Foge da boca em forma de palavra
Tomba ferida por todas as balas do mundo
Marcha eivada por todas as ofensas
Na carne o travo de todos os venenos
Na mente o mal de todas as torturas
A paz tem o rosto dos excluídos
A paz estende a mão grosseira e pede esmola
Em sua mão deitamos nosso peso em chumbo
Porque matamos para roubar
Matamos para calar
Matamos para escravizar
Matamos para convencer
Matamos para viver.
O homem é o único hipócrita dentre os animais
Prepara-te para a guerra - alardeia
Prepara-te para a guerra
Se queres a paz.
Claudinei Soares
Claudinei Soares

0 Comentários