Meus olhos áridos

Meus olhos áridos
Quase não se emocionam
águas correm
represam 
Transbordam
Em vão no papel
em branco
inexistente 

Meus olhos  áridos 
Como a capital de 12 milhões de habitantes 
Não conhecem dores
Que não as minhas
Bêbados mendigos prostitutas 
São pinturas 
Num jornal antigo

Meus olhos áridos 
Centro financeiro de meu corpo
Não percebem 
As construções que o tempo
Escava em meu rosto
Encantamento 
Da cegueira
Em carnes nuas

Meus olhos áridos 
Cegueira cotidiana
Em seu brilho
Anseia em algum canto
Um toque de poesia.

Francisco Heraldo-18/06/2020

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