Quem

Quem escuta o mundo?
Quem escuta a si?
Quem notou que não há luta?
Quem viu a verdade
Escrita pelo ar?
O silêncio, quem escuta?

Mãe, estou na porta
Me receba em seu abraço
Não achei onde encostar
Vagando
Não sei de nada
Nem que somos
Nem quem sou
Mãe, eu fiz a volta
E a revolta foi pro espaço
Tudo fora do lugar
À solta
Fui até onde a ventania me levou

Quem escuta os velhos?
Quem ouve a razão?
Quem percebe a realidade?
Quem escuta os ecos
Do próprio coração
Quem não foge da verdade?

Mãe, estou na porta
E mal respiro de cansaço
Vêm a chuva, foi-se o sol
E as luas
E as estrelas
E as  palavras por falar
Mãe, não me revolta
Esta quietude, este fracasso
Não cresci, não floresci
Semente
Sequei sonhando
Onde o vento ia me levar.

Quem sabe que é certo
E como sabe, faz?
Quem calou o grito infindo?
Quem cruzou a estrada
De alma e tudo em paz?
Vendo o horror de um mundo lindo?

Sei que não sei nada
E que no fim sou só o resto
Do protesto que passou
E agora
Vem vindo a aurora
Foi fugindo que voltei
Sei que estou sonhando aqui
O abraço da senhora
Suas mãos duras me sustendo o rosto
E entre meus soluços sua voz
Dizendo: EU SEI!

Claudinei Soares

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