Conforme o sol vai nascendo...

12:35

Arte Anderele
Conforme o sol vai nascendo, tenho de te fazer uma confissão:
Eu não via graça na vida, e a cada sortida via menos razão
Pra ficar nesse mundo.
Meu sorriso escondia
Um desespero profundo
Quando o sol desatava sua fímbria de ouro
Aquecendo e acordando cada canto da terra
Eu bancava o soldado acordando para a guerra
Sem ser mais que um cordeiro
Indo para o abatedouro.
Nem no céu eu sonhava
Encontrar um tesouro
Porque nem para lá meu olhar dirigia
Não sonhava ganhar porque a tudo perdia
Não sonhava sorrir, ao pranto acostumado
Isto até você se achegar do meu lado
Me mostrando um mundo que era meu -e eu não via

Não me disse palavra, até hoje nenhuma
Mas me ouviu em silêncio num místico abraço
Me afagou com sua pele de pura natureza
E do chão me ergueu com sua alma de aço
Sob um manto de estrelas me mostrou todo o espaço
E de mim pouco à pouco foi tirando o veneno
E ao sorrir novamente vi o mundo tão vasto
Vi que a dor me mentia ao mostrá-lo pequeno
Você fez um milagre que não compreendo
Pois a chaga e a lepra do meu coração
Você não desprezou - e eu jamais percebendo
Transformei no teu braço cada dor em canção
E tua voz sem palavras me trouxe o evangelho
Das folhas, das flores, destes sertões teus
E eu, homem, mendigo de todas as coisas
Senti numa tarde o afago de Deus!

Por isso te digo, que sou teu aluno
Te vejo como algo do alto enviado
Pra ser minha amiga, minha companheira
E o resto dos meus dias vagar ao meu lado
Minha amada, minha amiga, minha professora
Não te achei - por você é que eu fui encontrado
No mar desta vida, você foi a táboa
Que eu abracei da tormenta cansado
Renasço contigo à cada novo dia
Com mais alegria, eu tenho pensado
Tanto achei que via, sabia, entendia
Tendo a vaidade me ensurdecido e cegado

E é isso que eu tinha a dizer nesse dia
E sei que decerto você já sabia
Você que é manhosa, que é toda saber
Você que me fez atentar, com carinho
No sublime dilema de um passarinho
Que aprende a cantar sem ter onde aprender.
Teu abraço hoje é um ninho de simplicidade
Onde com humildade procuro crescer
Me ensina, viola, me abraça e me guia
Deixe vento embalar a sua melodia
Me ensine a cantar, à pontear... E à VIVER!


Claudinei Soares

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