O fim tem um sabor amargo

O fim tem um sabor amargo
Nos embarga a garganta o fim
Mergulha lenta no letargo
A mente e a vida segue assim
Os espasmos se calam
Também o gesto e a voz
O corpo lento abraça a queda
Que canta intensa e veloz

O fim tem um sabor maldito
Medito no sabor do fel
Caleidoscópio infinito
Sabor da morte e do tropel
Que avança negro e rude
E nada há de parar
O fim Mergulha em minha garganta
Eu não o posso evitar

A morte e suas asas negras
A face Branca e sem expressão
A voz dos silêncios antigos
Os braços de negra irrisão
Carícias descarnadas
taça que não pedi
O sabor de mil dores passadas
Degusto
E ergo um brinde à ti!


Claudinei Soares

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