Vou por onde der

Vou por onde der
O caminho não existe
E dentro de mim o mapa
É um consolo e uma contradição
Vou por onde posso
E às vezes isto é muito triste
E sinto as vezes a falta
De algo apontando a direção

Vou
E queria na verdade voar
Queria na verdade planar
Queria na verdade poder
Vôo
Por dentro e mal posso caminhar
Sabendo que se a onda chegar
Eu não teria como correr.

Vou por onde for
Uma estrada que persiste
Escrita em minhas veias sob a pele
Inscrita em estrelas e Montes por igual
Vou com a minha dor
E às vezes isto é muito triste
Gritos em que o silencio se revele
Benevolência espúria do mal

Vou.
E esta é a única verdade
Como um Rio que embora mudo é tão constante
Que fende uma montanha em sua passagem.

Vou.
e não serei contido ou atrasado
Medido o passo à dar e o passo dado
Sabendo o que é real
E o que é miragem.


Claudinei Soares

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