Não sou ramo fraco
Que se abate ao vento
Não darei o gosto
De mostrar ao mundo
Meu abatimento
Orgulho nada
Com isso pobre nem sonha
É uma teimosia
Braba bizarria
É doideira e vergonha
Seja como seja
Não vou vogar só
No mar da desventura
No ano mais triste
Não passo só frio
Nem é só quentura
É triste e crudo
Vergar no puxão da enxada
No meio do dia
A mesa vazia
Sem um pó de nada
Desperto
Eu me benzi
Lembrei de Deus
Que semeou nóis aqui
Pouco importa
Por onde o rio passar
Toda a água
Se acaba no mar
Vai tudo longe
O sol que se esconde
A chuva derrama
Pingando a goteira
Que embolora a esteira
Junto ao pé da cama
Triste verdade
Durmo afoito e encolhido
Trabalhar com ardor
Respeitando feitor
Pajeando bandido
Vou quieto
Quietude é paz
Coisa certa hoje
Amanhã já não é mais
Céu é alto
Mas importa não
Toda a ave
Descansa é no chão
Seja como seja
Não sou como o ramo
Que moleque alcança
Que na estiagem
Brinca na aragem
Murcha sem tardança
Não tenho medo
Tenho mais no que pensar
Sem pão para partir
Nem riso para rir
Nem choro pra chorar
Ladainha
Em alta voz
Sonho a colheita do Deus
Que plantou nóis
Pouco importa
O que vai e o que vem
Toda a reza
Termina no Amem.
Claudinei Soares
Claudinei Soares

0 Comentários