Areias

Lavra das palavras lá estou
Com a bateia em mãos 
Momento após momento
No areal da praia o rio de mim 
Formando aluvião 
Fundão de pensamento
Ali- sol a pino a água fria vai
Correndo o trecho além 
Barrenta do meu revirar
Ali, me curvo e faço a bateia dançar 
Reviro a areia atrás 
De um sonho que vim para buscar

Areias
Polidas por ondas de aço 
Batidas sem qualquer cansaço
Pelas correntes do meu ser
Areias
Onde quimeras já passaram
Onde cruzadas já marcharam
É sóis cansaram de nascer

Areias
Que esmeraldas e diamantes
Suas entranhas negrejantes 
Escondem da sanha feroz?
Areias
Amor é o que me consome
Achar a pedra do teu nome
Cantá-lo até perder a voz!

Claudinei Soares

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