Diário de um refugiado

Ele pensou que estava up
Mas estava down

Olhos que não fecham
Mente que não pára
Palavras na ponta do lápis ou da língua.

Imaginar, imaginar, imaginar
Pensar, pensar, penar
Sentir. Sentir, sentir
Agir, agir??

Ele tem um grito sufocado, engasgado, abafado, constrangido, reprimido, embargado.

Refugiado em sua própria alma
Que ele em revolta surtuosa asfixia
Estrangula-a, submerge-a, reprime-a,
Tolhe, censura, oprime
Afoga com tirania aquilo que não deve ser dito.

Entretanto há dias que ele pisa em desnível
Buraco profundo e ele cai, cai e caí....
Como um eco num abismo sem fim
E se acostuma a cair, esgotado, letárgico, inerte, entregue.

No desejo último de sentir, de viver...
Grita a pleno pulmões
Não há quem o ouça.

Cada dia flertando com a morte
Cada dia um passo mais perto do fim.
Quando tudo acabar, haverá sido por livre e espontânea pressão... Obsessão de aliviar a dor.

Kerley Nancy

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