Cicatrizes

Liberdade de ir e vir me parece tão pormenor diante da minha liberdade de sentir.

Gosto de escrever sobre mim, não por ser interessante a tal ponto, mas por ter propriedade de causa.
Em fragmentos, vou alimentando meu todo, que é cheio de tudo e permeado de nada. Sinto tanto, deixo de sentir ainda mais. Retomo de onde parei, dissimulada, como se nada tivesse acontecido – ou interrompido.
Costumo ser a causa dos meus males, mas sei lidar comigo mesma, porém, ainda temo pra onde me arrasto.
Esses dias, não aceitei uma ação do destino, eu queria porque queria que algo acontecesse e o destino simplesmente não cooperou. Em vez de acatar e crer que talvez fosse o melhor para mim, o que eu fiz?
Eu fui lá, intervi, mexi “meus pauzinhos”, dei meu jeito e trouxe para mim o que eu tanto queria. Essa minha teimosia me destrói, mas me traz sabor, me traz cores, me traz sonhos e perspectivas. Gera frutos- bons; maus- que me trazem inspiração para escrever, e é escrevendo que mensuro o que estou vivendo.
Peço perdão a todos aqueles que vim atropelando a aglomerando até aqui, mas não cumprirei minha penitência, pois não tenho a menor intenção de parar. Sou movida a som, turbulência e furacão.
Minha coragem é suicida, mas não diminuiria uma dose sequer. Eu me machuco, me estilhaço, me jogo no escuro. E daí? Sempre admirei cicatrizes. Vocês já reparam a beleza dessas formas abstratas? Acredito que em cada uma , encontra-se uma história de superação e sobrevivência da queda, se elas existem e estão ali, é porque você superou algo difícil, que te fez crescer, te floresceu, te lapidou; sejam elas corporais ou na alma. Independente de quantas eu já tenha, tenho um corpo e uma alma imensa, dispostas a recebe-las de bom grado, entregando-me como moradia e templo, a tudo aquilo que estiver reservado a mim.

Vick Vital

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