Como se não quisessem nada, sentaram à mesa de um bar china, popular e pouco
asseado no centro de São Paulo, próximo à Alameda Glete, local conhecido como Boca
do Lixo.
O rapaz, tímido e inseguro, sacou um cigarro do maço, enquanto se entreolhavam.
Travaram um discurso politicamente correto. Contaram sobre seus afazeres cotidianos,
conversaram sobre Nietzsche, poesia, a crise asiática e tradução de alguns vocábulos da língua inglesa para o idioma português, e que a palavra China era pronunciada Tchaine
em inglês.
Entretanto, o diálogo não passava de mera formalidade, como se respeitassem as boas
maneiras, afinal, a moça era fina, elegante, de vocabulário rebuscado; trajava saia na
altura do joelho, blusa branca manga três quarto e um sapato de salto, cor preta. O moço
era simplório, calçava tênis e camiseta azul.
O rapaz lhe pergunta: quer mesmo sair comigo?
A garota lhe responde sem titubear: é o que mais desejo!
Saíram a procurar um hotel.
O homem estava aturdido, a pensar que aquele encontro não passava de uma quimera,
um delírio talvez.
Andaram na Boca do Lixo por meia hora. A mulher estava atenta para as ruas, os
transeuntes e estabelecimentos comerciais. Nunca estivera ali.
O rapaz lhe oferecia um táxi, quando ouviu: aqui! Vamos entrar! O homem a olhou e
disse: tem certeza? A mulher estava a perder as esperanças. Sim, tenho certeza, disse-
lhe! O local pouco importa. Quero-te agora!
O sujeito pagou a estada, que não passaria de duas horas.
A dama fez a toalete, enquanto ele a esperava ávido.
Sentaram à cama. Beijaram-se loucamente.
Deitou-se em cima da mulher, por ora, sem nenhuma cerimônia.
Amou-a como nunca fizera com qualquer outra, tampouco com a esposa!
Ele disse: não será a última vez, entorpecido!
A china, era pura lascívia, enquanto o cavalgava!
Amanda Gamell

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