Havia um muro ali.
Alto, firme, intransponível?
Mãos cálidas por vezes costumam tocar
Aquela fria e indiferente parede
Esperando, vai saber, uma troca, uma resposta...
Pareciam não saber que o muro sempre lhes respondia.
Uma resposta inaudível, verdade, mas respondia.
Todavia, ninguém desistia.
Um a um iam chegando como uma competição.
Alisando, apalpando sua superfície dura
Tentando encontrar uma brecha, uma fissura.
Um portão, por que não?
Mas tudo o que o muro demonstrava
Era um conjunto bisonhoso de tijolo e cimento.
O que aquelas ávidas e arrebatadoras almas
Achavam que tinha do outro lado?
O Sol seria mais amarelo?
A grama seria mais verde?
O oceano seria mais azul?
Mal sabiam que o que se via deste lado,
Era o mesmo que tinha do outro lado.
E que aquele muro só estava ali
Por não ter lugar melhor para ir.
Adams Damas

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