Não é fácil


Não é fácil para um mortal ter um coração cigano. 
Ir fundo, até as últimas consequências. 
Eu não escrevo a vida como rascunho. 
Vivo, sofro, aconteço, morro e várias vezes renasço das cinzas. 
Meu coração cigano não bate, estremece no mundo, que gira, se amplia, flutua, sobe e desce. Em meio a tantos sentimentos, vários corações ao mesmo tempo, batendo, explodindo, chorando, latejando, queimando, virando fagulha, que se espalha no vento. 
Ser diferente de tudo, do mundo, de todas as atitudes, sóbrias e sombrias. 
Ser intensa, carnal, profunda e espiritual, verdadeira como o próprio reflexo do rosto num lago, distorcida a imagem por uma lágrima. 
É ser livre nesse mundo de ilusão, onde nada é palpável, mas tudo pode ser esperado: alegria, glória e decepção. 
É olhar fundo nos olhos de alguém e simplesmente enxergar pelo espelho da alma aquilo que ele quer esconder e usar essa magia do nosso povo. 
Nesses tempos difíceis, saber que encantamos, prendemos pelo encanto no olhar, algo que que fica impregnado no tempo, na história, no ar e que de tempos em tempos faz recordar e reconhecer o reencontro de Almas.

Amanda Gamell

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