Criatura da noite me tornei Que estranha e disforme criatura Que busca recobrar a compostura Vomita palavras no papel Logo após o seu escalhavar inevitável Black, luto, preto, negro, e luto... Para encontrar um filete de luz Dentro da alma fria e gélida Quando os primeiros raios de sol passam pelas frestas da janela, No quanto ainda escuro meus olhos se cerram. Oblíqua, dormente, entorpecente... E o dia se vai no areia imperdoável do tempo Horas que não vi passar... Não há memória, lembranças, nem sonhos ou vivacidade Apenas mais um dia de escuridão na caverna. De olhos fechados, o corpo clama e apaga, sopra a pequena chama da existência de mim. Abro os olhos e confusa, ainda necessito de tempo para me situar no tempo. O quarto está mais escuro que antes... É noite outra vez!! Dia infrutífero, vampiresca, estou pronta para mais uma madrugada sufocante. E o ciclo vicioso se perpetua outra vez! Quero romper o ciclo, mesmo que este represente minha estabilidade Quero romper o ciclo sombrio e ressignigicar o preto, o negro... Black is beautiful!!! Madness os beautiful!!! Gente curada demais é gente chata, como dizia Coralina. Enquanto meu querer hão encontra forças para exercer sua pretensão, Recolhida como feto continuo na minha caverna escura Um dia, minha mãe, a vida, terá que me dar a luz ou me abortará. Quem sabe??
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