Lição de Pilatos

14:23

Vai morrer e não aprende
Agonizando se engana
Finge pra si que existe
No homem natureza humana

Surrado, trêmulo, sujo
Coberto de nojo e andrajo
Murmura - se alguém padece
De frio - partilho o que trajo

Um louco - um louco apenas
Gritando que pão se comparte
Que abrigo se divide
Que ver o amor é a Arte!

Um louco que ignora
Que a verdade que convence
É que o outro é inimigo
E quer o que nos pertence!

Um tolo! O que tem sido
Verdade sempre no mundo?
Que o esperto alcança a vitória
E o forte chega em segundo

O bem vencer? Já venceu!
Na forma de templos gloriosos
Coroas e tronos de ouro
Assentos dos poderosos

Que quer este mendicante?
Com essa bazófia de amar
Dar terra à quem não é nobre?
Dar nosso pão sem comprar?

É louco, é tolo, é maldito
A pena se justifica
Onde estão os seus amigos?
O côro diz : Crucifica!

Crucifica! É o que escuto!
Que anjo minha mão suspende
Nenhum raio me abate
Vai morrer e não aprende!

Claudinei Soares

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