Eu vejo pessoas.
Pessoas eu vejo.
Eu sou pessoa.
Já não tenho medo.
Vejo aqueles que se questionam,
dentro da sua limitação.
Com perguntas e respostas
que não trazem solução.
Questionam: "as crianças que verão dois pais a se beijar, como sua cabeça vai ficar?"
Respondo, sem a pretensão de compreensão de terceiros.
Será uma criança com uma família.
Falando em crianças;
aquelas que são esquecidas, nos verdadeiros problemas da vida.
Essas não viram dois pais, não viram duas mães, se quer a presença de um pai, com sorte ainda teve a mãe.
Os ratos andam por entre os corpos que se estivessem mortos, seria de grande valia para o capital, se não, não faria sentido tantos fuzis afinal.
Antes eles morrerem de fome.
Do que ver dois a se beijar.
Antes eles aprenderem o ódio.
Pois ninguém nunca foi capaz de os amar.
Como se combate a violência,
Não é dando flor aos bandidos, mas aqueles que viram as rosas do Jardim da avó nas férias no sítio do interior, conheceu um pouco sobre o amor.
Já aquele, que em período letivo não conseguiu chegar no horário, porque na saída do morro, foi parado, esse estudante só foi confundido, deu sorte, o som de um tiro não foi o último a ser ouvido.
Vejo pessoas.
Pessoas eu vejo.
Não enxergam pessoas,
por conta do medo.
Marcelo Souza

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