Ode a morte


Hoje eu me despeço de você.
Faz tempo que me preparo para esse momento.
Ninguém está preparado para a partida de alguém.
Meu sentimento é intenso.
Meu amor por ti é imenso.
Não quero tristeza.
Não quero chorar por ti.
Afinal, continuas vivo em mim.
Nossa história pára por aqui,
Mas, seu amor arde em mim.
Não o esperarei nunca mais.
Não quero voltar pra ti.
Começou sem expectativa,
E quando cresceu não cabia mais em mim.
Agradeço pelo sopro de vida que me deu.
Você foi o espelho da minha face oculta.
Não o condeno por esse amor proibido,
Impregnado de desejo, tesão e loucura.
Soltei a corda. Não aguento mais minhas mãos em carne viva. Joguei a última pá de cal.
Você não morreu em mim. Continua vivo a pulsar.
Eu preciso me cuidar e me curar dessa queimadura de amor.
Desse desejo enfermo que sinto por ti.
Minha intuição nunca me engana.
Eu gosto de me iludir.
A vida dói e você foi a única saída boa que encontrei.
Você não foi ruim.
Me chamava de rainha e gata borralheira.
Eu amei um gato vagabundo de telhado, que disputa gatas e vive todo machucado ensanguentado.
Fui mais uma, talvez a que você mais gostou.
Eu dei a você tudo o que eu tinha, meu amor, razão, paixão e loucura.
E de você apenas recebia "depois".
Hoje você foi desligado.
Sua escolha prosseguiu.
Você preferiu assim.
Para mim não fez diferença.
Você não saberia me fazer feliz,
Tudo que você sabia era satisfazer minha libido e me levar a algum tipo de paraíso, com portas, janelas e lençóis velhos esmaecidos!
Você foi meu capitão.
Não fez jus à patente.
Roeu meu juízo, absorveu minha mente.
Depois que eu parti, começou a entrar no meu sonho sem permissão.
Você nunca foi caminho, foi minha perdição.
Esqueça-me agora!
Brindo sua morte com vinho e cortejo meu luto. Uma parte de mim também morreu.
Fique no seu quartel.
Seu mundo é mexer com armas, sargento de milícias.
Você nunca foi minerador da minha alma. E não soube ter alguém que foi para você sua jóia rara.
Adeus!

Carmen Dell Roza





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