Sombras e morte...

22:53

Arte de Diego Torres
Sombras e morte... Sangue e destruição. Brasas ardendo na lama, cinzas voando ao vento...
Mas ninguém chora porque perdeu a tudo, ninguém lamenta os mortos - mesmo as crianças, vendo os pais arderem ainda em meio aos escombros, sabendo que o sopro e as garras de horrendos dragões seres oriundos do mais obscuro pesadelo, são a causa do caos e da tragédia.

Há lágrimas, há gritos, há lamentos, há inconformidade, mas não porque os dragões grassam, ou porque sua ira recaiu sobre inocentes, ou porque eles podem retornar a qualquer minuto, arremessando num jorro de chamas o pouco que sobreviveu nas cinzas do esquecimento.
O que os soluços dizem, o que as lágrimas interrogam não é por quê um demônio de chamas varreu toda a terra... É por que não havia uma espada, um escudo, uma lança, mãos de aço e um coração de pedra entre os demônios e suas vítimas?
ONDE ESTÃO OS CAVALEIROS? Pergunta cada choro, cada estertor, cada olhar desolado... ONDE ESTÃO OS CAVALEIROS? Onde estão aqueles em cujo coração mora a fibra do herói, aqueles que desconhecem o medo, aqueles cuja fé inabalável e o amor incondicional conduz ao ardor da batalha pelo que é bom?
ONDE ESTÃO OS CAVALEIROS? Onde estão os homens e mulheres que não se silenciam, que numa negativa inquebrantável formam uma muralha de carne, ossos e alma, vertendo sangue se preciso para demarcar o território onde reina a justiça?
Onde estão aqueles que buscam ter o mais nobre dos corações para empunhar a mais nobre das armas e montado na mais nobre das bestas parte a combater pela mais nobre das causas?
ONDE ESTÃO OS CAVALEIROS?
As lágrimas são um cântico de esperança... As batidas dos corações soam como um galope distante... A ESPERANÇA marca o compasso... Nas asas do sonho de liberdade, a reluzente armadura e o escudo com brasões encarnados, o manto púrpura balança ao vento... Ladeia estradas misteriosas, o aço justiceiro descansa na cintura... Eles virão... Virão, sim... Atendendo ao chamado mesmo que seja de um único coração sonhador.
Claudinei Soares

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